wIdéias em caixinhas
Um dia eu reparei que minhas idéias eram concebidas a partir do olhar atento das coisas acontecidas ao meu redor. Então eu imaginei a cidade como um grande supermercado, com prateleiras oferecendo sentimentos, e idéias sendo vendidas em caixas. E aqui eu descrevo a conclusão das minhas compras. Sugestões para as próximas compras, trocas de produtos e reclamações serão bem vindas.


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wSegunda-feira, Março 26, 2007


*com.par.ti.lhar (segundo o Michaelis on-line):
(com2+partilhar) vtd Participar de, ter ou tomar parte em: Compartilhou a sorte do esposo. Compartilhou com os seus soldados a glória do triunfo.


Você sabe que sempre terá essa "coisa errada", não sabe? Isso é inato, nasceu com você e vai morrer com você. Você nunca será feliz totalmente, sempre faltará o pedaço perfeito. É como a dor fantasma: você sempre sentirá, mesmo não existindo. Eu não te culpo, eu te entendo. É bem provável que eu não aceite, que eu sofra, que eu chore. Mas isso sou eu. Sofrer, chorar, faz parte de sentimentos, e eu os tenho. Sou intensa sim, sinto tudo nas vísceras sim, entro de cabeça e sabendo que posso me machucar. Me machuco, mas não morro. Sigo em frente, e com experiência. E sempre melhor, sempre.
São onze anos? Já foram 37, acredite. E ele também era de gêmeos. E nos demos bem, por três anos. Ele era livre, eu tb. Prezo isso, tanto quanto você, porém, sei compartilhar* da vida.
Acontece que justamente quando eu não acreditava mais na vida, quando eu achava que era assim mesmo e não ia mais mudar, você chegou como uma certeza de que tudo podia ser diferente. Me deu uma amostra grátis, como aqueles degustadores de supermercado, e não voltou mais. Quando entrei, preferi não provar, porque sabia que ia gostar e não podia comprar. Mais tarde, quando fiz todas as compras e vi que podia comprar, você não estava mais lá. Muitos disseram que nunca esteve, mas eu tenho certeza que naquela tarde, era você oferecendo a mercadoria.
A culpa não foi sua, eu é que estava mendigando amor de qualquer um. Porque eu não agüento mais carregar esse fardo sozinha. Preciso de alguém que me ajude a carregar minha vida, porque carregar minha vida e o mundo nas costas é pesado demais, rs. Sou pretensiosa, infelizmente, é por isso que me canso. Canso, mas não desisto, que fique bem claro isso.
Estou com raiva de mim mesma (grande novidade), por ter essa necessidade de estar apaixonada. Diferente de você que não consegue ficar sozinho, eu consigo, mas não sem estar apaixonada. Por isso o amor platônico faz tanto parte da minha vida. É o combustível pra agüentar esse enfado de dias sem razão aparente.
Aconteceu de novo. Ficou claro que essa é uma área da minha vida da qual devo desistir.
Tchau e benção, meu querido. Talvez um dia você encontre sua gueixa, como um outro geminiano tenta em vão encontrar a demônia dele. (Como eu consigo me envolver apenas com homens de gêmeos?)
Hoje eu ouvi risadas na hora do almoço. Ontem eu ouvi uma vez que era gostosa. Calor do momento.

26/03/2007 - 17:45


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wDomingo, Março 25, 2007


20/03/07 - 09:42

Cheguei a pouco ao trabalho, minha segunda casa, ou primeira, já que passo mais tempo aqui do que lá.
Cheguei trabalhando, nem sentei pra respirar. E logo me veio a cabeça a pergunta que meu pai fez ontem, e a cara que eles fizeram quando dei a resposta.
Eles querem que eu me firme aqui. Eu não sei. É uma questão de crença, do que eu acredito e do que eu sou obrigada a fazer no momento.
Não posso falar nada, afinal essa é a terceira semana em que estou aqui, não posso emitir opinião e tem o agravante que eu não acho graça em parte alguma da minha vida no momento. Então, não é culpa de nada nem de ninguém se eu não estou empolgada com meu novo trabalho. Pode ter sido meu sonho um dia, mas hoje é a realidade, e talvez por isso tenha perdido o ¿glamour¿.
Eles jamais vão entender essa minha inquietação juvenil numa pessoa adulta, eles jamais entenderão a inquietação juvenil em quem quer que seja. Porque eles não a tiveram. Preferiram fechar os olhos, ou talvez nunca tenham sido apresentados à vida. Será que é isso o tal mito da caverna? Lembro de ter lido, mas não ter entendido.
Sinceramente, a cara deles ontem me fez perceber que me afastar deles agora não vai fazer muita diferença. Eles não me entendem. Isso não diminui de forma alguma o amor que sinto por eles, mas não sou como eles. Não sou como ninguém da minha família. Será que sou mesmo de outro planeta?
Bom, deixa eu começar meu dia a sério agora. E torcer pra ele terminar logo. Não vejo a hora do fim de semana, rs.
Ouvindo: Nova Fm. O que não sai da cabeça? Algumas músicas do Roupa Nova.


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19/03/07 - 15:24

É hora do café com leite, estou com muito sono, o termômetro do humor diz que estou feliz e eu não consigo deixar de pensar no domingo...
Sabem quanto tempo faz que eu não sinto isso? Sabem quando foi a última vez que eu senti isso? Também era domingo.
No MP3 agora toca Adriana Calcanhoto, e ela diz: "... Pq meu coração dispara quando tem o seu cheiro..." e ontem tinha o seu cheiro em mim, passeando pelas minhas veias e aromatizando meu sono.
Fo um dia sincero, foi tudo muito lindo, lindo demais. Choveu, fez sol, eu estava bem, à vontade, sem expectativas. Nunca fico assim. Ontem era eu, de um jeito que eu sempre quis ser.
E os nossos gostos são muito parecidos, e o que não forem, a gente releva. Eu não acredito em príncipes, mas adoro Shrek, rs. É pra dizer que contos de fada podem acontecer mesmo quando a história não é exatamente como nos livros.
O que eu posso deixar dessa experiência? "Jamais deixem de acreditar".
Eu quero compartilhar, não dividir. Estou pronta pra recomeçar.
Ouvindo Nova FM. All day. ;-)

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Olá, eu ainda estou viva! Rs
Bem, por total falta de local pra colocar o que escrevo durante a semana (já q meu trabalho me impede de acessar alguns sites) no blog, vou tentar, dentro do possível, colocar os textos da semana, no final de semana.
Então, sejam bem vindos à minha semana!

15/03/07 - 12:02

Hoje fazem 10 dias que comecei a trabalhar na BOVESPA. A área é segredo, pq tudo lá é confidencial, mas todos devem adivinhar que tem alguma coisa a ver com biblioteca, né?
Estou feliz. Foi um processo estressante, me cobrei muito, achei que não ia dar conta, achei até mesmo que nem seria chamada. Fiquei literalmente com o cu na mão, mas depois de 10 dias, posso dizer que dou conta. Com um mês, espero dar conta e mais algumas coisas.
Mudei toda a rotina por conta disso, horário na facul, pois estou trabalhando de manhã, deixei de levar marmita (vitória pessoal, deixem-me comemorar!), mudei ojeito de vestir, agora é tudo muito formal, social, diferente.
Posso ouvir música, trabalho numa sala só minha, com uma mesa só minha, com a minha bagunça particular, posso comer, posso ficar descalça (quando estou sozinha), trabalhar sem estresse, só com as cobranças normais do trabalho. Sim, é uma vitória.
Apesar de tudo, venho me perguntando se isso que tenho pode ser chamado de vida. Fico fora de casa das 07:00 às 23:40, pontualmente de segunda à sexta. Hora de almoço e saída não contam como descanso. Esse horário são as únicas horas livres para resolver tudo o que é necessário, me alimentar - pq eu não vivo de luz branca (não sei o nome dessas lâmpadas de escritório) - e correr para chegar onde quero. Mas onde é que eu quero chegar mesmo?
Ainda procuro espaço na agenda para a academia (paga quase que integralmente pel empresa) e para um curso de inglês. Dormir? 5 horas tá MESMO legal. Até minhas olheiras estão sumindo. Minha vida está tão fácil de contar, que numa conversa de 5 minutos te conto toda ela. Acho que nem isso...
Mas tá melhor do que quando escrevi o post sobre ódio de gente. O bom deste trabalho é que eu me mantenho mais afastada delas um pouco, não fico mais tão desgastada por ter que ser cordial o dia todo. E o pessoal da faculdade que não é amigo, eu mando se foder mesmo. 90% dos alunos são "muuu", o restante eu quero fazer amizade, mas não sei como. E esses que eu quero vão saber, pq eu sempre sou cordial com eles.
Resumidamente, era isso que eu tinha pra dizer hoje. O grande supermercado São Paulo tem cada dia vendido mais produtos, mas eu só estava comprando o estritamente necessário. A moeda do supermercado é o tempo, e acho que vocês, tanto quanto eu, sabem o quanto ele é escasso e difícil de adquirir.
Álias, a quantidade de tempo disponível é proporcional a quantidade de dinheiro que temos, já perceberam? rs

A música de hoje não é a que estou ouvindo, mas se encaixa bem: Everybody wants to rule the world - Tears for fears


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wQuinta-feira, Março 01, 2007


Texto maravilhoso, lido no programa Provocações (28/02/07), de Ricardo Freire, adaptado por Antônio Abujamra. Se puderem, ouçam através deste link: Ricardo Freire por Antônio Abujamra

Não, por favor, nem tente me disponibilizar alguma coisa, porque não quero. Não aceito nada que pessoas físicas ou jurídicas me disponibilizem. É uma questão de princípios. Se você me oferecer, me der, me vender, me emprestar, talvez eu tope. Se você tornar algo disponível, quem sabe, eu aceite. Mas, se insistir em disponibilizar, nada feito. Caso você esteja contando comigo para operacionalizar algo, vou dizendo desde de já: não operacionalizo nada para ninguém e nem compactuo com quem operacionalize. Se você quiser, eu monto, realizo, aplico, ponho em operação. Se pedir com jeito, até implemento, mas operacionalizar, jamais.
O quê?!?!?!... você quer que eu agilize isso para você? Lamento, mas não sei agilizar nada. Nunca agilizei. Está no meu currículo: faço tudo, menos agilizar. Precisando, eu apresso, priorizo, ponho na frente, dou um gás. Mas agilizar, desculpe, não posso.
Outro dia mesmo queriam reinicializar meu computador. Só por cima do meu cadáver virtual. Prefiro comprar um novo a reinicializar o antigo. até porque desconfio que o problema não seja assim tão grave. Em vez de reinicializar, talvez seja simplesmente o caso de reiniciar, e pronto.
Por falar nisso, é bom que você saiba que parei de utilizar. Assim, sem mais nem menos. Eu sei, é uma atitude um tanto radical da minha parte, mas não utilizo mais nada. Tenho consciência de que, a cada dia que passa, mais e mais pessoas estão utilizando, mas eu parei. Não utilizo mais. Agora só uso. É mais elegante deixar de utilizar e passar a usar.
Sim, estou me associando à campanha nacional contra os verbos que acabam em "ilizar". Se nada for feito, eles nos levarão à mediocridade total! Todos os dias, alguns maus tradutores de livros americanos de marketing e administração disponibilizam mais e mais palavras que são rapidamente operacionalizadas pela mídia, reinicializando palavras que já existiam e eram perfeitamente claras e eufônicas. A doença está tão disseminada que muitos verbos honestos, com currículo de ótimos serviços prestados, estão a ponto de cair em desgraça entre pessoas de ouvidos sensíveis. Depois que você fica alérgico a disponibilizar, como vai admitir, digamos, "viabilizar"?
É triste demorar tanto tempo para a gente se dar conta de que "desincompatibilizar" sempre foi um palavrão. Precisamos reparabilizar nessas palavras que o pessoal inventabiliza só para complicabilizar nossos filhos. Eles vão pensabilizar que o certo, o mais fashion, é ficar se expressabilizando dessa
maneira. Já posso até ouvir as reclamações: "você não vai me impedibilizar de falabilizar do jeito que eu bem quilibiliser".
... danibilizem-se todos!


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